Um Raro Registro Histórico
junho 14, 2009

Relógio inglês da década de 1870
Dentro de Aracaju há mostras frequentes de material histórico em locais como os Shoppings Riomar e Jardins. Mas há também outros grandes registros históricos que poucas pessoas vêem ou sequer conhecem dentro do estado, como é o caso do acervo que o mecânico e relojoeiro Reinaldo Barbosa possui. Trata-se de um singular e importante registro histórico – não só da história nacional, como mundial – que há já foi exibido, há bastante tempo atrás, em veículos da mídia local, mas que hoje não possui projeção alguma.
Numa casa situada próxima ao campo do Confiança (Bairro Industrial de Aracaju), Reinaldo, 66 anos, guarda uma infinidade de itens históricos e bastante raros. Muitos, por

Santos feitos com madeira, intens de decoração dos anos 1940 e um filtro da mesma década (em azul e branco, na ponta da mesa)
sinal, não existem sequer em museus pelo estado. O material vai de vários relógios de época, muitos do século XIX, a armas de antigamente, como bacamartes, garruchas e espadas. Moedas, santos esculpidos em madeira , rádios, máquinas de costura e eletrodomésticos em geral, oratórios, balanças, entre vários outros itens são encontrados na casa, que também é ornamentada por eles.
Há itens tanto de fabricação nacional, como vários estrangeiros, muitos de origem inglesa, americana ou alemã. E encontram-se também veículos raros, como duas motocicletas estrangeiras, sendo que uma que é italiana, está parada esperando um processo de restauração e Uma picape que o próprio Reinaldo usa no dia-a-dia. Há também um equipamento de som profissional, que ele possui há mais de 30 anos.
Reinaldo afirma que reúne todos esses itens apenas por satisfação própria, sendo que começou a juntá-los em meados dos anos 60 e passou a se dedicar com maior afinco à essa atividade nos anos 70. A coleção está sempre aumentando, visto que o mecânico sempre que pode vai procurando e adicionando novos itens.

Reinaldo, em posse de uma garrucha (braço esquerdo) e de um bacamarte (braço direito), ambas armas de época
Há algum tempo a coleção sofreu um desfalque, pois bandidos levaram um cofre, também de época, que continha parte de suas economias. Porém, apesar desse ocorrido, Nado, como também é conhecido na região onde mora, não se abalou e continua juntando todo tipo de antiguidades que pode.
Texto, Fotos e Vídeo: Pedro Ivo
Trapiche – I Mostra de Teatro UFS envolve comunidade
junho 14, 2009

I Mostra de Teatro da UFS apresentará trabalhos desenvolvidos durante o período 2009.1 do curso de Licenciatura em Teatro/ Campus de Laranjeiras
Será realizada de 15 a 19 de junho de 2009, no Município de Laranjeiras, a Trapiche – I Mostra de Teatro da UFS, que sem caráter competitivo, terá como objetivo o intercâmbio entre os alunos dos cursos da Universidade Federal de Sergipe com a comunidade local. Serão apresentadas peças de teatro, palestras, exposições e oficinas produzidas pelas 3 turmas do curso de Teatro sergipano, que tem apenas 2 anos de existência (desde 2007).
A iniciativa visa, além de gerar uma boa prática para os alunos, expor os trabalhos e incentivar a interação com a sociedade. Porém, para escrever apresentações e palestras, foi exigida a condição de aluno devidamente matriculado na UFS, exceto nos grupos, para os quais foi imposto o respeito de cota de 80% deste pré-requisito. As mostras, exposições, oficinas, palestras, mesas redondas, performances, esquetes e peças teatrais serão oferecidas de forma inteiramente gratuita.

A comissão organizadora é coordenada pela Professora Maicyra Leão e tem subcomissões que auxiliam na viabilização do evento, que até a última sexta-feira ainda não contava com qualquer apoio ou patrocínio. “Uma comissão está tentando conseguir o apoio da prefeitura (de Laranjeiras), mas até agora não conseguimos contato direto”, conta Patrícia Brunet, aluna do curso e integrante da Subcomissão Administrativa.
A organização também disponibilizou, através do Blog Trapiche UFS, toda a programação, regulamento e detalhes da programação, que podem ser acessados por qualquer dos interessados para informações sobre sinopses, opções de horário e locais de apresentação. Vale a pena conferir e prestigiar a produção de arte em terras sergipanas. A abertura será realizada amanhã (segunda-feira, 15) às 17h30min no Campus de Laranjeiras/ UFS.
por Erick Souza
Do reggae à organização popular
maio 31, 2009
Quando a teoria se faz presente e a contradição é explicita aos olhos, é tempo de partir para a prática. Foi exatamente isso que a banda sergipana de reggae Oganjah fez. Partiu para prática. Cantando a resistência e louvando a esperança da transformação social os integrantes da banda sentiram a necessidade de estreitar os laços solidários com a comunidade do Pantanal, localizada no Bairro Inácio Barbosa.
Em julho de 2007 alguns dos integrantes da banda resolveram morar na comunidade. “A gente desempenhava ações solidárias na comunidade, como Natal sem fome, Dia das Crianças, só que os moradores olhavam para gente desconfiados, nos viam como estranhos, daí nós sentimos a necessidade de nos mudar para cá, necessidade de viver a comunidade do Pantanal” explica, Thiago Ruas, vocalista da Oganjah.

Thiago, Tia Dora e as crianças do Pantanal
Hoje o projeto oferece à comunidade 15 oficinas, dentre elas: boxe, capoeira, dança, pinturas tai Day, kickboxing, percussão, violão, canto popular, inglês, fotografia, bateria, baixo, guitarra e reforço escolar, além do curso de corte e costura.
Para o aluno de boxe e morador da comunidade Alan dos Santos Vieira, 18 anos, o projeto dar oportunidades e esperança a comunidade. “Já fiz três meses de aula de boxe, mas parei porque não pude mais pagar. Foi quando soube que estavam fazendo esse trabalho aqui, daí resolvi entrar e participar. Agora a gente não anda mais solto pela rua.” Explica o garoto.
O papel do projeto C.H.A.M.A vai além da oferta de oficinas, serve também como instrumento político e social da comunidade do Pantanal, explica Thiago, “A arte, a música, o esporte, o estudo humaniza mais ainda as pessoas, os moradores se vêem como comunidade Pantanal, as crianças estão criando novas formas de se relacionar com os pais. A mãe de um deles me perguntou se o projeto também oferecia oficina de carinho, porque o filho dela estava muito atencioso. O nosso objetivo é promover a organização popular dos moradores da comunidade Pantanal… perceber que os passos estão caminhando nesta direção é muito importante”.
O C.H.A.M.A agora se prepara para o 2ª Final de Semana de Mídia Livre(previsão para o mês de junho), que tem como objetivo principal a discussão na comunidade sobre os meios de comunicação e a construção da comunicação comunitária e participativa através de oficinas de fanzines e fotografia pinhole.
Confira o vídeo do Primeiro Final de Semana de Mídia Livre do Pantanal :
Feito por: Pedro Alves
Editorial.
maio 27, 2009
Existe um muro. Um muro que separa o conforto… do mal estar, o colchão… da terra batida, o sofá… dos pés no chão, a ordem… dos calos nas mãos, um muro que separa a sociedade entre os alguéns e os ninguéms. Diante deste muro, estamos do lado dos ninguéns, para burlar o silêncio sendo mais forte que miséros tijolos de concretos.
“Do outro lado do muro” é um contra-ataque aos grandes meios de comunicação que vendem diariamente mortes, assassinatos, sangue e tudo que for necessário pra enfeitar o produto mercantilizado que é a informação. Aqui neste espaço, “os ninguéns não serão recursos humanos, serão seres humanos e apareceram na história e não nas páginas policias da imprensa”. Um muro que separa os leitores, das pessoas que são o tema das notícias. Nada de ficar em cima do muro, diante desta parede de tijolos, nós estamos do lado dos ninguéns.